Fernando de Noronha
Um sonho esmeralda

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3º Dia - Não sei se as fotos serão capazes de fazer jus à beleza do mar, onde as cores variavam entre o turquesa e o esmeralda.

Hoje foi um dia tranqüilo, até porque não consegui marcar nem o mergulho com a Águas Claras (ninguém atendia), nem a caminhada pelas praias com a Atalaia (teve hoje, não sabem quando vai ter a próxima). Turismo independente aqui é meio complicado... Então resolvi relaxar em algumas praias, começando pela praia da Conceição, distante uns 15min a pé por uma trilha que começa perto da pousada.

Conceicao O dia começou ensolarado, depois choveu na trilha, depois abriu de novo, depois choveu no meio da tarde, depois parou...

atoba A praia, dominada pelo Morro do Pico, estava vazia quando cheguei, éramos eu e os atobás. Alguns sentados nas rochas em um canto da praia, outros voando e mergulhando nas águas cheias de peixes. A Ilha da Conceição, próxima à praia e com uma piscina natural, pode ser alcançada andando-se pelas pedras na maré baixa. Nesse caminho de pedras tem também o Pião, uma pedra incrivelmente apoiada em uma pequena base. Quando vi que o caminho para a praia do Meio era fácil, não dependia de passar por pedras na maré baixa, resolvi passar toda a manhã na Conceição.

Conceicao O sol foi saindo, tirei muitas fotos, depois fui para o convidativo mar. A água estava deliciosa e cheia de peixes. A cor da água era maravilhosa, nos mais diversos tons de azul e verde. Um barco de mergulho parou longe, onde o fundo do mar desce mais abruptamente. Algumas pessoas foram aparecendo na praia. Enquanto eu conversava com Daniel, um noronhense que já mergulhou 65m em apnéia, um peixão enorme passou entre nós, atrás das sardinhas, que eram tantas que chegavam a fazer barulho na água. Encontrei também um casal do Rio, uma raridade - a maioria dos turistas que conheci até agora são de São Paulo ou do sul.

Meio CachorroJá passava de meio-dia, sol forte, fui secar um pouco à sombra antes de seguir para a praia do Meio, que também tem um mar maravilhoso, mas o sol estava muito forte para ficar lá. Existe até um bar entre as duas praias, mas resolvi seguir para a praia do Cachorro, passando pelas ruínas do Arsenal de Santana, onde fiquei algum tempo na sombra das árvores, admirando as praias lá do alto. Conheci ali o Bioni, que é guia e estava de folga na praia com uma amiga turista.

Cachorro A praia do Cachorro fica bem mais cheia, por estar junto à Vila dos Remédios, antiga capital de Fernando de Noronha, onde ainda se localiza a sede administrativa. Fiquei um tempão na sombra, até o sol diminuir um pouco. Aí fui fazer snorkeling e Bioni foi me "rebocando", pois estava com nadadeiras, ao longo das rochas. Conforme íamos nos afastando da praia, vi muitos peixes grandes, inclusive linguados, mas longe demais para fotografá-los. Chegou um ponto em que eu quis voltar, pois o mar ia ficando muito agitado. Já perto da praia, Bioni me emprestou suas nadadeiras. Enquanto ele ficava na praia com sua amiga, fiquei na água mais um pouco. Mas logo o tempo começou a fechar. Choveu e subimos para o Bar do Cachorro, que à noite é o point da ilha, e batemos um pouco de papo.

BR-363 Eram umas três horas quando resolvi voltar, já sem chuva. No caminho, passei na Loja de Mãezinha para comprar postais e ímãs, aproveitei para tomar um sorvete. Da Vila até a pousada dá uns 15min caminhando pela BR-363, a menor estrada federal do país, com apenas 7 km de extensão. Depois do banho, o tempo já estava aberto e resolvi experimentar ir ao Forte dos Remédios para ver o pôr-do-sol.

Minhas esperanças de ver o sol descer no mar desvaneceram ao chegar ao forte, pois havia nuvens no horizonte. Encontrei Bioni, que me levou por uma trilha fora dos muros do forte, onde dava para sentar e ver o mar e as praias. Mas não teve pôr-do-sol esplendoroso, então voltei para a pousada. A Águas Claras não havia me ligado, então André ligou para a Atlantis e marcou o meu mergulho para amanhã.

Jantei no Mirante, em frente à pousada, um restaurante a la carte. Cada prato é para duas pessoas e eles não fazem meia porção. Não consegui dar conta de tanta picanha, arroz, feijão, aipim e salada. Curiosamente, carne era o único prato disponível, e olha que nem era tarde (não eram oito horas ainda). Anteontem, antes de parar no restaurante a quilo, passei por um que era buffet e eles também já não tinham mais quase nada. Não sei se é a pouca quantidade de turistas ou se a maioria está em esquema de meia-pensão e não janta fora.

Olhei a lojinha do TAMAR, depois sentei para escrever postais antes da palestra, que hoje foi sobre aves marinhas, dada por um fiscal do IBAMA. Antes de falar das aves, ele comentou uma coisa que eu não sabia: é proibido usar protetor solar quando se vai mergulhar nas piscinas naturais de Atalaia, pois a concentração de protetor - que sempre acaba saindo da pele - pode danificar o ecossistema.

Sobre os pássaros, ele mostrou slides e falou sobre os hábitos de atobás (ou mergulhões), viuvinhas, fragatas, maçaricos, entre outros, de Noronha e do Atol das Rocas. A palestra acabou um pouco depois de dez horas e voltei de ônibus. Não é ruim nem perigoso voltar à pé, mas a canseira que bate no final do dia...

4º Dia - Que dia maravilhoso! Vi tanta coisa linda e foi tudo tão legal!

Às 7:30 eu já estava pronta e ainda deu para tomar leve café-da-manhã (frutas, um pedaço de bolo, suco) antes do pessoal da Atlantis me apanhar para o mergulho. Até pegar todo mundo e sairmos no barco, que era o mesmo Alquimista II do passeio dos golfinhos, devia ser 8:30. O grupo tinha pessoal certificado e pessoas, como eu, que iam fazer o chamado "batismo", um mergulho acompanhado com um guia. No caminho, fomos recebendo as instruções da mergulhadora Edilene.

peixe mergulho Largamos o pessoal certificado num ponto, para eles depois chegarem até o barco, num local de mergulho chamado Buraco do Inferno, na Ilha Rata. Algumas pessoas que já estavam meio assustadas em mergulhar pela primeira vez não gostaram desse nome... Mas o lugar não tem nada de assustador. Enquanto uns mergulhavam, outros esperavam no barco ou aproveitavam para um banho de mar e snorkeling.

Meu guia foi José Renato. Ainda na superfície, o guia verifica se estamos respirando direito, se a máscara está ok, etc. Claro que o fato de eu já ter mergulhado antes facilita. Edilene levava uma câmera digital para registrar o mergulho (R$15 por duas fotos em disquete) e os primeiros minutos do mergulho foram dedicados a isso, parando na frente de um coral com peixinhos para dar um efeito bonito.

Mergulho Mas depois ficou melhor! Vi peixes enormes, lagostas, corais. Vários peixes eram iguais aos que eu havia visto no Caribe, como o peixe papagaio (bom, em inglês é parrotfish). O mergulho durou 35 minutos - mas pareceu tão rápido! - e fomos até quase 13m de profundidade. Minha frustração foi não ver arraia nem tubarão, que outros viram.

O pessoal certificado encontrou-se conosco ali e depois ainda fez mais um mergulho antes de todos voltarmos ao porto, onde chegamos em torno de uma da tarde. No barco conheci outros dois turistas também viajando sozinhos, Felipe e Evaristo, ambos também engenheiros. Combinamos de passear juntos à tarde, mas primeiro fomos almoçar no Anatalício, um simpático restaurante a quilo na Vila do Trinta.

Íamos à Baía dos Porcos que ambos não conheciam, mas pegamos a estrada errada, o que acabou sendo bom: chegamos à Baía do Sancho, que vista de cima era deslumbrante, linda demais.

Sancho
Sancho
Sancho Fotos e mais fotos antes de iniciarmos a descida da falésia. Primeiro, duas escadas verticais no meio das fendas da rocha - eu, que tantas vezes ouvira falar dessa descida, imaginava uma coisa apavorante, mas foi tranqüilo. Duro foi descer a trilhazinha, se apoiando nas pedras, seguindo algo que um dia deve ter sido um corrimão. A praia estava quase vazia, linda, linda, uma água transparente onde vimos muitos peixes, linguados, uma moréia, caramujos e caranguejos. Quando os barcos do passeio dos golfinhos chegaram, parando perto da praia (os menores chegam bem junto), fomos embora.


Dois Irmaos por do sol Achamos o caminho para a praia da Cacimba do Padre, quase vazia, com apenas alguns pescadores. Caminhamos então à Baía dos Porcos, onde os dois mergulharam. Depois ficamos na praia da Cacimba do Padre para um espetacular pôr-do-sol - talvez o mais bonito da viagem, com atobás voando sobre nós.

De volta à pousada, depois do banho e de escrever o diário fui lanchar num quiosque próximo, o Linda Lanches, onde comi um cheeseburger, com pão feito ali mesmo, e tomei um delicioso suco de cajá, enquanto escrevia postais.

Evaristo e Felipe me pegaram ali para irmos ao IBAMA. Passei na lojinha do TAMAR e fiz uma comprinhas: camiseta, postal, poster e uma tartaruguinha de pano. Também adotei uma tartaruguinha - parte de uma campanha para angariar fundos para o projeto - e escolhi meu apelido de infância, Tutuca, para ela.

A palestra de hoje foi sobre golfinhos, dada pelo coordenador do Centro de Estudos do Golfinho Rotador. Esses golfinhos recebem esse nome por girarem em torno do seu próprio eixo quando pulam fora d'água. Não fazem isso sempre, mas com freqüência. Os golfinhos não possuem marcas individuais como as baleias, mas mesmo assim é possível catalogar marcas no seu corpo tais como cicatrizes ou defeitos - cerca de 300 já foram catalogados assim. A população é estimada como qualquer coisa entre 2 mil e 2 milhões de indivíduos, que não habitam somente aqui. Todas as manhãs bem cedo, eles vão chegando à Baía dos Golfinhos, o que é sempre observado pelos pesquisadores, e lá passam a maior parte do dia, saindo no meio da tarde. Existem passeios de barco com os pesquisadores, mas nessa semana em particular eles estavam ocupados com uma filmagem.

Evaristo e Felipe me deixaram na pousada e combinamos de nos encontrar no dia seguinte para outro passeio à tarde, já que os dois iam mergulhar novamente de manhã.

Continua ...

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Última atualização
13/12/1999