Relato
Fernando de Noronha, mais um sonho antigo de viagem que se realizou. Embora esperasse muito - e não me decepcionei - de sua beleza natural, eu não fazia idéia que suas águas fossem tão transparentes.1º Dia - Fernando de Noronha! Estou aqui!!Em Outubro de 1998, passei quase uma semana na ilha, o que foi suficiente para conhecê-la e aproveitar alguns de seus encantos. Mas tenho certeza que, ao voltar um dia a essa dádiva da Natureza, descobrirei mais belezas nesse paraíso tão adequadamente apelidado de Esmeralda do Atlântico.
Mas vamos deixar a conversa de lado. Venha conhecer comigo o arquipélago de Fernando de Noronha.
A chegada foi linda, sobrevoando a ilha antes do pouso. Dei sorte de meu lugar ser no lado esquerdo do avião, pois ele permite uma melhor visão. Embora o tempo estivesse meio enevoado, deu para ver bem a ilha.
Numa área improvisada, pois o aeroporto está em obras, passei pela fila de controle para pagar a taxa de permanência na ilha, cobrada pelo IBAMA de todos os turistas. André, dono da Pousada da Morena, veio me apanhar. Passava um pouco de meio-dia quando chegamos à pousada, com vista para o Morro do Pico, ponto mais alto da ilha.
Meu primeiro contato com a ilha foi um passeio de barco, saindo do porto mais ou menos às 2 da tarde à bordo do Alquimista II. Havia mais de 20 turistas no passeio, que começa indo em direção às chamadas ilhas secundárias, que são um grupo de ilhas no extremo norte do arquipélago, entre elas a Ilha do Meio, onde o mar escava a rocha e com vários ninhos de atobás, e a Ilha Rata, que é a segunda maior do arquipélago.
Voltamos pela costa da ilha principal, ao longo das praias do chamado "mar de dentro" (lado mais voltado para o continente). Lindas paisagens, mas o grande momento foi o encontro com os golfinhos, que passam por ali durante a tarde. Três vezes o barco parou para podermos mergulhar e vê-los dentro d'água. Acho que éramos muitos e, com o estardalhaço de tanta gente batendo perna, eles se mantiveram distantes e não ficavam muito tempo junto de nós. Mas deu para vê-los bem, sempre em grupos, seus corpos em dois tons de cinza.
O barco parou na bela Baía do Sancho, cercada por falésias. Lá pudemos fazer um pouco de snorkeling. As águas de Noronha são bem transparentes, cheias de peixinhos coloridos. Vi até uma moréia. Logo outros barcos de passeio apareceram, alguns menores que o nosso e chegando mais junto à praia.
Continuamos em direção à Ponta da Sapata, extremo sul da ilha. Lá, dependendo do ângulo, um buraco na rocha parece tomar a forma do mapa do Brasil. Na volta, paramos em frente a uma rocha apelidada de Urro do Leão: as ondas que batem nas fendas da rocha provocam um barulho que é amplificado nessas fendas. O por do sol no mar foi bonito, embora houvesse nuvens no horizonte. O passeio durou quase quatro horas.
À noite, fui à pé para o IBAMA - uma caminhada de cerca de 15min da pousada. Jantei num restaurante a quilo no caminho, experimentando carne de sol, típico prato nordestino. Estava gostoso e foi barato. No IBAMA todas as noites são apresentadas palestras, cada dia um tema diferente. Além disso, lá tem uma lanchonete e uma loja de souvenirs do Projeto TAMAR. A palestrante daquela noite não apareceu, então só passaram vídeos.
Quando voltei, já estava morrendo de sono.
2º Dia - Com sol, as cores do mar eram simplesmente deslumbrantes.
Acordei cedo, mas só fui tomar café às oito, embora na verdade ele já fique disponível antes do horário "oficial". Quando André apareceu, perguntei a ele do passeio de buggy que eu queria fazer. Ele havia se esquecido, mas conseguiu me colocar no passeio, chamado de Ilha Tour, um dia inteiro visitando as principais praias de Noronha.
Começamos pela praia de Atalaia, onde já estava o resto do pessoal do passeio. Na maré baixa, os recifes formam uma piscina natural de uns 40cm de profundidade máxima, uma maravilha para ver-se de perto peixinhos coloridos, muitos dos quais escondidos sob os corais e pedras. Ao fundo fica a ilha do Frade, que parece uma mão com um dedo apontando para cima.
Em seguida fomos às praias do Bode e Cacimba do Padre - não sei dizer onde acaba uma e começa a outra. Nessa hora já havia bastante sol e as praias eram lindas, com as duas ilhas chamadas de Dois Irmãos em um extremo. A areia era muito fofa e os pés afundavam nela. Caminhamos pelas pedras até a
Baía dos Porcos, pequena mas belíssima, onde pudemos tomar um banho de mar e fazer snorkeling. Num pedaço, uma pequena piscina natural (nessa não se pode entrar). Sobre as pedras junto ao mar, passeavam vários caranguejos escuros. Um turista deixou uma latinha vazia de cerveja junto à sua bolsa e duas lagartixas entravam na lata para se embebedar com o restinho. Essas lagartixas, chamadas mabuias, são muito comuns na ilha. Na volta, a extensão de areia da Cacimba do Padre, bem como a cor do mar, impressionavam.
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Terminamos a manhã na praia do Boldró, onde não deu para fazer muito, mas caminhei ao longo de toda a praia, que tem alguns coqueiros. Ela é uma das praias mais visitadas da ilha. Saímos de lá quase meio-dia e meia.
Almocei, junto com alguns outros turistas que estavam fazendo o passeio, no Nascimento. O restaurante, a la carte, é especializado em frutos do mar, mas eu fui mesmo de frango, bem servido. De sobremesa, um sorvete de cajá, fruta típica que eu nunca tinha experimentado, gostei.
Às 2:30, o passeio recomeçou, primeiro na Baía do Sueste. Lá é local de alimentação de tartarugas marinhas, mas só depois eu soube que é comum encontrá-las lá, numa parte da baía afastada da praia. A praia é bonita, mas a água é muito turva, aparentemente por causa de algas. Os pés afundam muito na areia, nunca vi nada igual. Ali fica também um mangue, o único em ilhas oceânicas.
O resto da tarde foram visitas só para olhar. Primeiro, a praia do Leão, local de desova das tartarugas verdes entre os meses de Dezembro a Junho, cujo nome vem de uma ilha em forma de leão marinho (mas que para mim parecia mais um cachorro deitado). De um mirante, o sol já baixando deixava a praia prateada.
Depois fomos ver o Buraco da Raquel, pedra furada junto ao mar, numa praia de pedras onde várias aves fazem ninhos, sendo por isso proibido descer lá. Junto dali, a enseada de Caieiras, que pareceu-me ter recifes como os de Atalaia, embora seja muito maior. Como toda excursão, paramos numa loja, Tubalhau, que além de camisetas e bijuterias, vende também bolinhos feitos de carne de tubarão.
Na praia da Air France, no extremo norte da ilha, pode-se ver o encontro do "mar de dentro" com o "mar de fora". O nome da praia vem da época em que hidroaviões da Air France vindos da Europa pousavam ali, fazendo escala em Noronha.
Fomos ver o por do sol nas ruínas do Forte de São Pedro do Boldró, no morro que separa a praia de Boldró da isolada praia do Americano. Só que mais uma vez o horizonte estava meio nublado, mas o sol estava lindo baixando entre os Dois Irmãos.
Não estava com fome e jantei biscoitos, antes de ir ao IBAMA. A palestra foi sobre tubarões, dada por um dos donos do Tubalhau. Ele contou que apenas 7 entre cerca das 300 espécies de tubarão existentes são potencialmente perigosas para o ser humano. Em geral, os ataques ocorrem em locais onde seu habitat foi estragado e os tubarões não encontram alimento suficiente. O comprimento dos tubarões varia de 80cm até 18m, como o tubarão baleia, encontrado aqui no nordeste e que, apesar do tamanho, só se alimenta de peixes.
Continua ...
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Última atualização 13/12/1999 |
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