Chapada Diamantina

jóia da Natureza

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O Relato

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4º Dia - "De máscara, mergulhei ali, é muito estranho, com a água escura e baixa visibilidade."

O "canto das águas" que dá nome à pousada tem a ver com o barulho da água do rio Lençóis, já que a pousada fica na beira do rio. Só que não gostei do meu quarto, exatamente junto ao rio: achei muito barulhento e pedi para trocar. Assim, arrumei minha mala antes de sair para o café, que é farto e inclui alguns pratos regionais.

Saímos a pé às 8:00 e passamos no hotel Portal de Lençóis para apanhar outras duas moças que iriam fazer o passeio da manhã conosco. Elas eram de uma agência de viagens de Salvador e queriam trazer excursões de fim de semana para a Chapada. Carlos detesta excursões de massa, já que em geral se trata de turistas sem compromisso com a Natureza. Houve então uma enorme discussão entre ele e elas durante o passeio. Acho até que nossa caminhada foi mais difícil que deveria, pois ele pareceu ter escolhido o trajeto mais complicado para que elas sentissem o que é caminhar na Chapada...

Cachoeirinha O tempo estava nublado quando começamos o passeio, seguindo ao longo do rio Lençóis. Nossa primeira parada foi na Cachoeirinha, mas não me animei a entrar por causa da água fria e ausência de sol. Teresa começou a demonstrar ser a mais animada para entrar debaixo de uma cachoeira. Continuamos subindo pelas pedras até um lugar de onde se tem uma vista da cidade.

orquidea Ao continuarmos caminhando, passamos por umas pequenas e lindas orquídeas pintadas, apropriadamente chamadas de onça ou algo parecido. Muito lindas mesmo. A Chapada Diamantina tem mais de 200 tipos de orquídeas.

Aliás, a variedade de flores na região é enorme, creio até que facilitada pelas recentes chuvas. Durante o passeio vimos flores das mais diversas cores e formas.

flor flor flor

Cach. Primavera Depois, chegamos à Cachoeira da Primavera, no rio Serrano, com suas águas escuras e pedras castanhas. A essa altura o sol começava a aparecer e não resisti a um banho. A cachoeira é bem forte. Usei os óculos de natação que Darcy levara para entrar na cachoeira, assim minhas lentes de contato não correriam riscos.

Visitamos em seguida o Salão de Areias e inúmeras pedras formadas de seixos. A origem geológica da Chapada Diamantina é bem antiga, quando a América do Sul e a África eram unidas. Inclusive ela era próxima à atual Namíbia, o que explica a ocorrência de diamantes. Após ficar milhões de ano no fundo do mar, quando seixos foram acumulando e se ligando com a pressão, em algum momento essa formação aflorou. Por serem sedimentos, são bastante delicados e altamente susceptíveis às intempéries.

Serrano Serrano Salao de Areias

De volta ao rio Lençóis, já sem as duas moças de Salvador, vimos lavadeiras que estendiam suas roupas sobre as pedras para secarem ao sol. Chegamos de volta à pousada pouco depois de 13:00, almoçamos lá e às 14:30 Carlos veio no apanhar de jipe para irmos às cachoeiras do rio Mucugezinho, a cerca de meia hora de carro a partir da pousada.

orquidea branca Poco do  Diabo Passando por inúmeras orquídeas brancas, chegamos ao Poço do Diabo. Experimentei nadar com máscara naquela água escura (a melhor definição é que parece Coca Cola sem gás) e é uma sensação mesmo muito estranha, com uma visibilidade quase nula. Esses ácidos que dão cor, no entanto, não são poluição.

Foi um passeio rápido, 90min depois de começarmos já estávamos de volta à lanchonete de onde sai a trilha, bebendo água gelada ou água de coco antes de seguirmos para o último passeio do dia.

Coroando o dia, fomos ver o pôr-do-sol no Morro do Pai Inácio, que fica junto à BR-242. A gente vai de carro até um ponto, depois sobe por cerca de 15min até seu topo, a 1240m de altitude. De lá se tem algumas das mais espetaculares vistas da Chapada, com uma série de morros chatos que são tão característicos dessa paisagem. A luz do fim do dia realça ainda mais a beleza do relevo. Lá em cima venta muito, mas mesmo assim existem plantas e flores.

vista do Pai Inacio vista do Pai Inacio flores

À noite fomos andar e jantar no centro da cidade. A fome não era grande e pensamos em comer algo leve. Primeiro fomos à creperia de um francês, mas não ia abrir naquela noite. Acabamos optando por um restaurante italiano cuja dona é italiana - muitos estrangeiros também se encantam com a região e resolvem morar lá - a Trattoria Bell'Italia, que serve canelones de massa bem fina chamados crepeles - no final das contas, comemos crepes. O meu era de ricota e estava gostoso.

5º Dia - "O dia foi muito cansativo. Ainda não sei dizer se valeu o esforço, mas confesso que pensei em como seria bom estar num resort."

Saímos às 8:00 para a mais longa caminhada do roteiro, para a Cachoeira do Sossego, no rio Ribeirão. O trajeto completo inclusive é opcional, mas Carlos garantiu que todas estávamos aptas a fazer o passeio. Aptas sim, mas que esforço... Cansei tanto que tirei até poucas fotos na trilha.

Após nos levar de jipe até o início da trilha, cerca de 1km fora da cidade, Terra passou os suíços para nosso grupo. Mas eles ficaram pouco tempo conosco, pois o ritmo deles é bem acelerado e acabaram indo na frente quando estávamos lá pela metade do caminho. A primeira hora de caminhada é tranqüila, quase só no plano, subindo suavemente. Aí fizemos uma parada num poço, para refrescar, mas como o sol estava forte eu preferi ficar na sombra. Depois seguimos por mais uma hora, agora por dentro do mato e com mais subidas e descidas. Mas o mais pesado é a última hora, caminhando sobre as pedras do leito do rio. Para mim, é exaustivo, pois não tenho confiança em saltar de pedra em pedra e, portanto, vou bem devagar. Mesmo assim, chegamos lá em três horas, como previsto.

Cach. do Sossego Só depois de dar uma relaxada e refazer as energias com um pouco do lanche de trilha é que pude realmente apreciar a beleza da cachoeira e seu entorno. Na verdade é uma sucessão de quedas, a maior com uns 15m, sobre pedras que, da mesma forma que na Cachoeira da Fumaça, perecem ser lâminas de rocha escura umas sobre as outras. Subi até um mirante natural, depois fui nadar até a cachoeira, mas é uma canseira nadar contra aquela correnteza! A água também é escura. Usei novamente os óculos de natação da Darcy para nadar e para ver a cachoeira por baixo - um barato!

Havia poucos turistas lá. Além de nós e dos suíços, vimos somente um casal. Havia ainda um rapaz vendendo bebidas. Imagine ter que levar o isopor nas costas por todos esse caminho! Valeu cada centavo do R$1,50 que ele cobrou pela água mineral...

flores sempre-viva Ficamos lá umas duas horas, aí começamos o longo caminho de volta. Fiz algumas paradas para as poucas fotos de flores que me animei a tirar. Paramos novamente no poço da ida. Foi bom para descansar os pés, tadinhos, como sofreram!

Descemos para o Ribeirão do Meio, onde existe um escorrega, mas nenhuma de nós foi. Havia bem mais gente ali, mas curiosamente nenhum vendedor. Minha água já havia acabado e só no final da trilha pude matar um pouco da minha sede com mais uma garrafinha de água. Ao chegar à pousada, quase 18:00, tudo o que eu queria era um bom banho e botar meus pés para cima.

Às 19:30 saímos para jantar no Picanha da Praça, perto da prefeitura, um restaurante muito famoso cuja grande atração é, obviamente, picanha. Mesmo com toda nossa fome, a menor porção deu para nós quatro e sobrou. Existem várias opções de acompanhamento e outros pratos também.

6º Dia - "Hoje foi tranqüilo, onde pouco ficamos no sol apesar do dia lindo: foi o roteiro das grutas."

Novamente saímos às 8:00, para o norte da Chapada. No caminho paramos para fotografar o Morro do Camelo (que eu usei como background dessa página).

Torrinha Nossa primeira atração era a caverna da Torrinha, no município de Iraquara. Ela possui a 7ª galeria do Brasil em extensão e a 1ª em espeleogramas raros. Acompanhados do guia Francisco e do Carlos, ficamos cerca de 2h dentro da caverna, atravessando passagens estreitas ou baixas. O que existe de mais especial são os cristais chamados aragonitas, que são como agulhas e aparecem nas mais diversas formas, inclusive como raios de uma estrela apontando para todos os lados - o que para mim é surpreendente, já que ela desafia a gravidade. Desligamos as lanternas num certo ponto - é uma sensação estranha ficar naquela tremenda escuridão.

Pratinha Fomos em seguida para a Pratinha, um balneário que é um verdadeiro oásis numa região tão árida. O fundo do lago onde os visitantes se banham é repleto de micro-búzios, mostrando o passado de mar da região. O rio Pratinha formou várias grutas na rocha calcária, mas essa parte ficou para mais tarde, primeiro fomos almoçar carne de sol, que o Carlos explicou como é preparada.

Gruta Azul Às 14:30 fomos para a Gruta Azul com uma pequena caminhada, pois nesse horário o sol entra nela e bate na água, criando cores mágicas. As crianças - havia muitas - ficavam espantosamente quietas admirando essa maravilha. Existe uma ligação entre a gruta e o lago, acessível apenas para mergulhadores.

Fomos então fazer snorkeling guiado na gruta junto ao lago (não sei se ela tem um nome). A gente paga uma taxa de R$7 e recebe todo o material, depois seguimos um guia 200m dentro da gruta, mas não se vê muitos peixes além de alguns piaus - mais uma coisa em comum entre a Chapada e Bonito.

Acabamos indo embora de lá depois de 16:30, mas acho que poderíamos ter otimizado nosso tempo, fazendo snorkeling antes do almoço, assim que chegamos.

Lapa Doce Próxima parada, gruta da Lapa Doce, perto da Torrinha. Visitamos 800m dos 28km já pesquisados, acho que levamos cerca de uma hora, ou menos. A galeria que percorremos é bastante ampla, não era preciso nos esfregarmos na rocha. O próprio Carlos foi nosso guia e a maioria das formações está protegida por cordas. Muitos travertinos e represas, vários completamente secos. Os donos do lugar estão preparando outra gruta, a Lapa Doce II, para visitação. Saímos da caverna por um outro lado, já era noite. Após uma boa subidinha pelas pedras até alcançarmos a estrada, pudemos ver um céu fantástico, limpo e estrelado. Vimos até uma estrela cadente, o que encerrou o passeio com chave de ouro.

Nosso jantar foi na Pizza na Pedra, perto da pousada, um lugar muito legal tanto pelo ambiente quanto pelas deliciosas pizzas. Não agüentamos comer uma só, de tão gostosa que estava. A música ambiente era Bossa Nova e MPB - curioso como os estrangeiros apreciam nossa boa música - até mais que os próprios brasileiros, já que em outros lugares da cidade predominam os ritmos baianos da moda.

Continua ...

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texto e fotos © Maria Adelaide Silva - proibida qualquer reprodução sem concordância da autora

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Última atualização: 2/1/2000