jóia da Natureza
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... Anterior 7º Dia - "A tranqüilidade é total: silêncio, reflexos nas águas... muito lindo."Outra vez saímos às 8:00, após mais um gostoso café da manhã. Todo dia tem bolinho de chuva, que perdição...
Fomos de jipe até o vilarejo de Remanso, perto de Andaraí, junto ao pantanal de Marimbús, que é formado pelo rio São José. Remanso foi fundada por Seu Manuelzinho, ainda vivo, e é habitada por sua imensa família e amigos (ele teve 21 filhos com suas três esposas). Um de seus filhos, Leôncio, foi nosso remador no passeio pelo pantanal. Carlos ficou de nos encontrar no final do passeio.
Eram 9:00 quando saímos a pé até o "Pantanal da Chapada", para duas horas de relaxante passeio de canoa, através de canais de águas tranqüilas com muitos aguapés e peris (uma espécie de junco).
Consegui fotografar um linda flor de aguapé.
Como sempre, o tempo foi abrindo e logo fazia o maior sol. Vimos e ouvimos muitos pássaros, como o xanã (branco, preto e vermelho), o cabeça-de-velho (preto com a cabeça branca), bem-te-vis e sofrês, que Leôncio identificava para nós. Em alguns lugares ainda existem florestas originais, com ipês, jacarandás e outras árvores nobres e altas.
Dependendo do nível d'água no pantanal, o passeio termina num ponto diferente. Para nós, terminou a cerca de 20min de caminhada até a foz do rio Roncador, cujo nome representa o barulho de suas cachoeiras.
Enquanto Leôncio lanchava e merecidamente descansava (afinal, ele remou o tempo todo, a gente só ajudava de vez em quando), ficamos por ali nos poços formados pelo rio e tirando fotos. Mais tarde Carlos chegou com Taís, uma turista de Salvador, que ficou conosco enquanto ele ia resolver algo. Quando fui pegar meu lanche - supresa! Já não havia mais lanches na sacola que Carlos deixara com Leôncio. Mas como o lanche é muito farto, as outras me deram cada uma um pouco de seus lanches e resolveu.
Passava um pouco de 14:00 quando Leôncio começou a nos levar rio acima para vermos os poços do rio Roncador. As pedras são claras e água mais uma vez escura, fazendo um efeito bonito. Em alguns lugares tivemos que andar descalças para atravessar o rio.
Paramos junto a uma cachoeira e um poço e Leôncio foi embora. Teresa e Ana subiram mais pedras enquanto Darcy descansava e Taís tomava sol. Eu, após mergulhar um pouco, fiquei secando ao sol, curtindo o final de tarde. Depois Carlos chegou e fomos até mais acima. O caminho mais fácil era passando pela água, mas eu já estava seca e fui com Darcy pelas pedras - bem mais complicado, é verdade. Novos poços, mostrando em suas variadas formas a ação da água. Mais fotos.
Eram 17:15 quando chegamos de volta ao jipe e começamos nossa viagem off-road por um antigo caminho de cavalos da época dos diamantes. Uma hora sacolejando, inclusive atravessando córregos, foi divertido. Passamos pelas ruínas de um antigo garimpo mecânico, com dragas que colhiam o cascalho do fundo do rio. O garimpo foi definitivamente proibido na região há alguns anos e as máquinas e pilhas de cascalho foram simplesmente abandonadas.
Às 19:30 já estávamos de banho tomado rumo à cidade. Entramos na Igreja do Senhor dos Passos, perto da pousada, ela estava toda iluminada por fora e é bem simples por dentro. No centro, não encontrei souvenirs interessantes, mesmo as camisetas eu achei sem graça. Jantamos no Grisante, numa das praças do centro. Dividi com Ana uma carne de sol, especialidade da casa, enquanto Darcy e Teresa foram de peixe. Como era sábado, a cidade estava bem mais movimentada, mas ainda assim tranqüila, talvez por causa do festival de música em Igatú.
8º Dia - "Madrugamos na intenção de fotografar a cidade sob os primeiros raios de sol, mas o dia amanheceu nublado."
Era nosso último dia de viagem e tínhamos a manhã era livre para curtirmos a cidade de Lençóis. Combinamos de acordar bem cedo para ir ao centro, para ver se fotografávamos os prédios antigos iluminados pelos primeiros raios de sol. Nos encontramos no jardim antes das 7:00 (que correspondia a 6:00, na verdade, já que havia começado o horário de verão), decepcionadas com as nuvens. O tempo só abriu lá para o meio-dia.
Resolvemos então tomar café: um longo café com muita conversa (ficamos lá por cerca de 1 1/2 h!). Comi muito e de tudo: frutas, salada de frutas com granola, granola com iogurte e mel, pão com queijo, bolos diversos, suco, chá. Os bolinhos de chuva dessa vez eram recheados com banana. Muito bom.
Lençóis é Patrimônio Histórico Nacional, por seu casario antigo e sua importância histórica na era dos diamantes. Caminhando com calma pela cidade de dia, vimos lindos exemplos de sua arquitetura. Várias casas foram restauradas e hoje são lojas, restaurantes e pousadas. No entanto, muitas outras casas permanecem fechadas e precisando de um reforma para trazer de volta a sua beleza original. Outra marca da cidade são os antigos lampiões, hoje usando lâmpadas elétricas.
Encontramos por acaso o ateliê de Ronaldo Moura, artista local que pinta lindas camisetas. As mais bonitas são as que mostram lampiões e flores, feitas com aerógrafo, um trabalho de alta qualidade. Finalmente eu havia encontrado algo que merecia ser levado como lembrança da Chapada! O ateliê fica na rua Urbano Duarte, 48.
Hoje fomos bastante assediadas por pessoas se oferecendo como guias. Um achou que eu era estrangeira e falou comigo em inglês. Só rindo... É preciso ter muito cuidado, pois nem todos são experientes e muitas vezes são apenas pessoas da terra que se fazem de guias por conhecerem as trilhas, o que pode resultar em muita dor de cabeça para o turista.
Encontramos Carlos e ele nos levou ao ateliê do ceramista J.C., que estava viajando. Pudemos ainda assim ver algumas peças, que são até bonitas, mas não me atraíram.
Apesar de ser domingo, a Secretaria de Turismo estava aberta. Eles têm um ótimo mapa com as atrações da Chapada e o centro de Lençóis, além de um pouco de sua história. Há também várias fotos da cidade em exposição, a maioria antigas, muito bonitas, mostrando várias casas belíssimas, algumas delas nem existem mais ou estão em ruínas.
Ficamos um pouco apreensivas com a demora de Terra em aparecer para nos levar ao aeroporto. Carlos andava para cima e para baixo tentando encontrá-lo, finalmente ele apareceu, na maior calma do mundo como um bom baiano! E lá fomos nós voando de volta para casa, mas levando um pouco da Chapada Diamantina em nossos corações - e em nossos pés!
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texto e fotos © Maria Adelaide Silva - proibida qualquer reprodução sem concordância da autora
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Última atualização: 4/1/2000