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Bonito, MS, Brasil Que Bonito é!
English version O Relato
Nossos vizinhos barulhentos estavam indo embora naquela manhã - que alívio! Aproveitando a proximidade da padaria, comprei iogurte para o café e água mineral para levar para o passeio. Saímos da Ygarapé às 8:00, seguindo o outro carro como guia Osmar. Cerca de meia hora depois, sempre em estrada de terra (basta sair da cidade que o asfalto acaba), chegamos à recepção da Gruta do Lago Azul, único local de visitação por aqui sob responsabilidade do governo - o resto é propriedade particular. Há um número limitado de visitantes por dia, em grupos de no máximo 12 pessoas mais um guia local.
A cor azul do lago é realmente impressionante e é devida à presença de cálcio e magnésio na água - o que acontece em toda a região e torna a água pouco recomendada para beber. Tivemos sorte que, devido ao ritmo dos outros grupos, pudemos ficar bastante tempo no ponto mais próximo do lago - não é permitido chegar junto à superfície. O passeio, no total, dura cerca de 2h, sendo uns 90min na gruta em si. Saímos de lá antes de 11:30, a tempo de comer alguma coisa na cidade. Eu fui experimentar o sorvete assado: salada de frutas com sorvete e calda de chocolate, coberta com chantilly e levada ao forno. Só o chantilly esquenta, fica muito bom. Aluguei uma câmera subaquática Canon, para experimentar, já que sempre uso descartáveis. O resultado, depois verifiquei, foi médio - algumas fotos ficaram boas, outras nem tanto, não deu para dizer que é melhor que a descartável, embora talvez seja questão de prática.
Às 16:00 estávamos de volta à cidade. Como tínhamos dois dias ainda sem programação, analisamos as opções, tentando chegar a um acordo. O problema é que alguns passeios são parecidos entre si. Existia a possibilidade de tentarmos ir a Bodoquena - dizem que é uma nova Bonito. Mas nada decidimos. Jantamos no Aquário, onde Kátia e Ernani haviam encomendado um pintado na telha - é preciso ao menos uma hora de antecedência. Eu fui de filé suíço (com molho de queijo derretido, muito bom). Como sempre, veio muita comida. E mais uma vez, tomamos sorvete. 5º Dia - "Hoje foi o dia do famoso passeio ao Rio da Prata. Ótimo, exceto pela falta de sol, que só voltou ao final da tarde." Acordamos cedo. Passava um pouco de 7:30 quando saímos da Ygarapé com o guia Marcelo, um dos mais experientes daqui, formado na primeira turma de guias há cinco anos. No nosso grupo, estava também um simpático casal de Campo Grande, Gerusa e Eduardo, que de lá estavam voltando para casa. O tempo não estava bonito, ficou nublado a maior parte do dia. No caminho, Marcelo nos contou muitas coisas sobre o turismo de Bonito. Para esse ano, seriam cerca de 50mil visitantes brasileiros e 20mil estrangeiros, proproção que nos surpreendeu. O Recanto Ecológico Rio da Prata fica a 54km de Bonito, no município de Jardim. Levamos pouco mais de uma hora para chegar lá viajando em uma estrada de terra que estava ruim em alguns pontos. Pegamos o equipamento, incluído no preço. Só não usei colete dessa vez, pois havia percebido que a roupa já dá flutuação suficiente.
Após 50min de caminhada, sendo atacados pelos mosquitos, chegamos à nascente do Rio Olho d'Água, afluente do Rio da Prata, onde faríamos a maior parte da flutuação - das pouco mais de duas horas dentro d'água, somente cerca de 20min finais são no Rio da Prata. A nascente é quase uma piscina repleta de peixes, onde em alguns pontos vemos a água brotando do fundo, através de um buraco ou borbulhando pela areia, tudo devido à permeabilidade do solo calcário. Além dos peixes que já conhecíamos, vimos um peixinho vermelho muito pequeno chamado mato-grosso e, bem escondido, um pintado ou talvez seu parente cachara (eles são parecidos). Ficamos uns 20 minutos, talvez mais, na nascente. Aí começamos a seguir a correnteza.
Como o rio estava baixo, era comum termos que nos desviar de troncos e galhos. Em um trecho com corredeiras, a gente faz um desvio por terra. Os mosquitos estavam a postos para nos atacar. Tem uma outra corredeira que a gente enfrenta pela água mesmo, não é perigoso. Logo em seguida, paramos em uma plataforma para ver o "vulcão", uma enorma ressurgência, que é como são chamados os afloramentos de água. A profundidade ali já é maior, mas quem consegue afundar - eu não consigo - pode se aproximar do vulcão, que inclusive faz barulho. Enquanto descansávamos na plataforma, peixinhos nos mordiam! Mas não machucam, é só incômodo. Pouco depois entramos no Rio da Prata, recepcionados pelos pacus, que não entram muito no Olho d'Água. A diferença entre os rios não é somente na turbidez - o Rio da Prata é mais frio e a correnteza é fraca, exigindo que nademos, o que fica cansativo. Quem quiser, pode pular essa parte e voltar pela trilha, mas todos seguimos. Depois, enquanto nos secávamos, o grupo que veio atrás de nós chegou, contando que viram uma sucuri - que inveja! Marcelo bem que havia tentado achá-la, sem nos contar. Depois de tanto esforço, o almoço caiu bem. Não que os pratos me enchessem os olhos, mas estava com fome. Havia a famosa "sopa paraguaia", um prato típico que é mais ou menos um suflê de milho. O bom mesmo é o doce de leite, uma delícia! Após o almoço, descansamos um pouco em redes de couro. Em dias mais movimentados, deve ser difícil arrumar uma rede livre...
De volta à cidade pouco depois de 17:00, devolvi a câmera alugada e mandei revelar os filmes. Jantamos no Tapera, onde Kátia e Ernani comeram pacu recheado (precisa encomendar de véspera), enquanto eu comi um filé com salada e purê de batatas. Mesmo de barriga cheia, fomos experimentar uma outra sorveteria, na praça principal, mas não achei o sorvete deles tão bom.
English version
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