Bonito, MS, Brasil
Que Bonito é!

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O Relato

Bonito fica junto à Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, cerca de 250km da capital Campo Grande. Junto com meus amigos Kátia e Ernani, passei uma semana lá, visitando várias de suas atrações. Nascentes cristalinas com muitos peixes são a marca de Bonito, mas não faltam cachoeiras e piscinas naturais. Para os mais aventureiros, existem ainda mergulhos em caverna e rappel em abismos.

O mês de Setembro é o final da estação da seca na região. Se por um lado as águas são mais límpidas, as cachoeiras têm menos água. Mas pelo que soubemos, o turista pode aproveitar Bonito em qualquer época do ano. Na primavera e no verão chove mais, porém em Bonito você vai se molhar mesmo...

Mas vamos ao relato de nosso passeio, com algumas fotos que vão tentar mostrar o que é esse paraíso de águas no Centro Oeste do país. As fotos foram tiradas por mim, usando minha Minolta 600si e câmeras subaquáticas Kodak e Canon.

1º Dia - "Aí descemos a Serra de Maracajú. Foi lindo, com muitas árvores, inclusive muitos ipês floridos."

Encontrei com Ernani e Kátia em Campo Grande e seguimos de carro para Bonito. Fizemos o caminho passando por Sidrolândia e Nioaque, onde almoçamos no Casarão, um buffet por R$5. No começo a estrada passa por muitas fazendas de soja e de milho, depois a gente desce a Serra de Maracajú e foi o trecho mais bonito, cheio de árvores floridas, inclusive ipês roxos, amarelos e alguns brancos. Os 28km finais são de estrada de terra, com umas sete pontes de madeira. É difícil imaginar caminhões passando sobre elas...

Atravessamos a cidade para chegar no Albergue da Juventude, onde tínhamos reserva. Depois vimos que várias pousadas no centro estavam com preços bem razoáveis, provavelmente em função da baixa estação, e decidimos nos mudar para uma delas no dia seguinte.

Havíamos pedido para o pessoal do albergue fazer reserva de passeios para os primeiros cinco dias, mas como as reservas não estavam exatamente do jeito que pedíramos, acabamos indo acertar os passeios diretamente na agência Ygarapé, com quem eles tratam. Os preços dos passeios são iguais em todas as agências e os passeios têm que ser marcados através de uma delas, que providencia um guia para acompanhar o grupo. A presença do guia é obrigatória.

Lanchamos na Speed Beer, que tem um atendimento lentíssimo, apesar do nome. Na mesma rua tem uma sorveteria a quilo, que acabou sendo um local muito freqüentado por nós.

2º Dia - "Foi um dia bem leve, que acabou até cedo. Bem relaxante."

Começamos o dia cedo, até em função da mudança. Tomamos café às 7, era simples e eu senti falta de um queijo. Deixamos as malas na Pousada Aconchego e fomos para a Ygarapé para nosso primeiro passeio em Bonito: a descida do Rio Formoso em bote. Levando o guia e remador Rudimar em nosso carro, fomos à Fazenda Cachoeira, onde começa o passeio. Depois chegaram os demais participantes, a maioria hospedados no albergue. Éramos uns doze. Lá pelas 9:30, após as instruções, começamos a descida por corredeiras e cachoeiras (a maior com 3m). É um passeio tranqüilo, em parte por ser época de seca. O visual é lindo, com a mata fechada em ambas as margens, e podíamos ouvir pássaros e macacos. Paramos para banho, muito refrescante. O sol estava forte.

Ilha do PadreIlha do PadreO passeio termina na Ilha do Padre, onde chegamos mais ou menos meio-dia. Nosso carro havia sido trazido até o estacionamento. A ilha pertence ao Padre Roosevelt, que a abriu para o turismo. Não é muito grande, mas possui cachoeiras formadas pelo rio em torno dela, além de algumas piscinas naturais. A maior cachoeira, com 4,5m, já fez parte do passeio de bote, mas como ele virava às vezes, o passeio agora acaba antes. A ilha dispõe de restaurante, bar, áreas de camping e de pique-nique, e também de uma simpática capela.

Cada um de nós acabou tomando um rumo. Eu dei uma volta de reconhecimento, depois comi um misto quente. Tomei banho em algumas cachoeiras e piscinas, caminhei mais um pouco (existem umas trilhas curtas, algumas sobre passarelas de madeira, outras pelo mato mesmo), tirando muitas fotos, e me juntei aos outros para bater papo.

Com a facilidade de comida, vários pássaros acabam se acostumando a ficar por ali. Assim, pudemos ver de perto um tucano e uma arara. Vimos uma arara-azul na árvore, mas era arisca e logo voou.

arara tucano Ilha do Padre

ipe amareloDeixamos a ilha mais ou menos às 15:30 e vimos muitos ipês no caminho. Lindo. Fomos até o Balneário Municipal, mas achamos que já não valia a pena pagar para entrar àquela hora.

Jantamos no Tapera, um exagero de comida. Dividi uma picanha com a Kátia, era um prato para dois que dava com certeza para três, enquanto Ernani foi de bife à milanesa, também bem servido. Tomamos sorvete e passamos na Ygarapé antes de voltarmos à pousada. As agências e boa parte do comércio ficam abertos até por volta de 22:00, pois é à noite que os turistas mais circulam no centro, já que durante o dia estão passeando.
3º Dia - "Estamos de volta de um dia cheio de aventuras."

Se à noite já andava fazendo frio, com ar condicionado ainda fui obrigada a usar cobertor. Mas o que atrapalhou mesmo meu sono foi um grupo de turistas ruidosos que estavam no quarto ao lado - de manhã cedo eles já estavam fazendo barulho. Tomamos café por volta de 7:30 e estava muito gostoso, com boas opções de frutas, pães e bolos.

nascente do Aquario Natural Saímos da Ygarapé às 8:30. Nosso guia era o Assis, que foi em outro carro. Tinha mais gente esperando na recepção do Aquário Natural do Rio Baía Bonita, onde seria o nosso primeiro passeio de flutuação. Nosso grupo era excepcionalmente grande, creio que éramos onze. Pegamos o equipamento (roupa de neoprene, colete, botas, máscara e snorkel, tudo incluído no preço) e treinamos na piscina. Após pequena caminhada numa trilha, conhecendo árvores da região, como o coqueirinho bacuri e a ximbuva, usada pelos índios na confecção de canoas, chegamos à nascente do rio. A água é transparente, fantástica. Mas é preciso ter cuidado para não levantar areia do fundo ao bater as pernas - pisar, só mesmo nas rochas.

A gente primeiro fica um pouco na nascente, para o guia poder ver como estamos com o equipamento. E esse é sem dúvida o melhor lugar para ver os peixes, pois à medida em que seguimos o curso do rio, levados pela correnteza, a água perde um pouco da transparência, embora ainda seja muito clara. piraputangas O que a gente mais vê são as piraputangas e os curimbatás, além de alguns dourados e piaus. As piraputangas são prateadas, com uma faixa preta no meio do corpo e rabo e nadadeiras laranjas. O rabo costuma mostrar sinais de mordidas dos dourados. curimbata O curimbatá, ou simplesmente curimba, é azul e tem uma boca beiçuda, própria para catar líquens sobre pedras e madeiras no leito do rio.

A descida na leve correnteza durou cerca de meia hora. Um barco de apoio nos acompanha. Ao final, outra trilha nos leva a cachoeiras e a uma carretilha (uma corda cruzando o rio com uma roldana onde a pessoa se pendura para saltar no meio da água). Estando de lentes de contato, não me arrisco nessas coisas... Voltamos depois para a recepção, trocamos de roupa e, após um rápido lanche, voltamos pouco depois de meio-dia à cidade, onde passamos na pousada e depois tomei um sorvete. O tempo, até então ensolarado, começava a fechar.

E foi debaixo de chuva que fomos ao nosso passeio da tarde, a Estância Mimosa. Éramos só nós três, com nosso guia João, saindo da Ygarapé às 13:00 e levando cerca de uma hora em estrada de terra até a fazenda. Parou de chover um pouco antes de chegarmos, mas o tempo continuava feio. Fomos recepcionados pelo Hugo, que toma conta do lugar, e pela D. Ladir, que faz os deliciosos bolos e biscoitos que comemos antes e depois da caminhada.

tamandua-mirim Depois, foram duas horas caminhando na mata junto ao Rio Mimoso. É comum avistar pássaros e outros animais, principalmente macacos. O pessoal da fazenda coloca milho em alguns locais estratégicos para mantê-los na área. É preciso manter uma certa distância dos animais, para não assustá-los. Vimos um pequeno tamanduá-mirim na ida e macacos-prego e cotias na volta, além de pássaros.

Estancia Mimosa São três as paradas para banhos de cachoeira no caminho. Não nos animamos na primeira, mas fomos na segunda, que tem a Cachoeira do Pedido. A água estava menos fria do que parecia de fora. Seguindo a orientação do João, nadamos até a cachoeira, fizemos um pedido e olhamos para a gruta que tem perto, onde teríamos uma revelação. Não vou contar o que vimos na gruta, mas posso dizer que não foi nenhuma experiência mística... A terceira cachoeira é um lugar bom de nadar. Dá para ficar debaixo da cachoeira, mas novamente eu fiquei com receio de perder minhas lentes.

No ponto mais distante da trilha, subimos em um mirante sobre a mata. Na fazenda do outro lado do rio existe outro passeio semelhante, o Parque das Cachoeiras. A vegetação na trilha, como em outras que fizemos depois em Bonito, é variada e conhecemos árvores como a aroeira, a peroba-rosa, a piúva ou ipê-roxo, a embaúba, entre outras tantas com propriedades medicinais que João foi nos descrevendo. Vimos orquídeas e borboletas. O canto triste da pomba juriti é uma constante. Perto da sede da fazenda, vimos uma família de quero-queros, um corrupião e um joão-pinto.

De volta à sede, nos fartamos de biscoitos e esquentamos pãezinhos na chapa do fogão à lenha. O chá de folhas de canela é também uma delícia. Voltamos para a cidade no final da tarde e novamente pegamos um pouco de chuva no caminho. Nossa esperança era que a chuva viesse a permitir o passeio ao Rio Aquidaban, mas o pessoal disse que só mesmo quando chovesse bastante. Esse rio, a 54km de Bonito, possui muitas cachoeiras, uma delas entre as mais altas da região, com 120m de altura. Em fotos, é maravilhosa, mas nessa época está muito seca.

Jantamos no Taboa, famoso por suas cachaças de sabores diversos. Com o friozinho da noite, eu ia tomar sopa, mas ela estava sendo preparada e, como depois de uma boa espera ela ainda ia demorar muito, resolvi pedir um cachorro quente. Estava gostoso.

Continua ...

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texto e fotos © Maria Adelaide Silva - proibida a reprodução sem concordância da autora
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Última atualização: 4/12/1999

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