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O Relato
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| 5º Dia - "Primeiro fomos a Almécegas I, talvez a mais bela cachoeira da viagem." |
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Deixamos São Jorge às nove rumo a Alto Paraíso. Em princípio, pararíamos no caminho para fazer os passeios e chegaríamos à cidade no final do dia, mas como estávamos muito apertadas no jipe com as malas, resolvemos deixar logo a bagagem na pousada, onde chegamos depois de 1h de viagem. A Pousada Recanto da Grande Paz é muito legal, são vários chalés - o meu era enorme, para quatro pessoas.
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Fomos então para a Fazenda São Bento, que também tem uma pousada. Lá ficam duas lindas cachoeiras do Rio Almécegas. Primeiro fomos na Almécegas I, a mais bonita. Acho que levamos uns 20min para chegar ao mirante através de uma trilha que é meio puxadinha no início, pois tem uma subida e a trilha é rústica - os donos da fazenda bem que poderiam dar uma melhorada nela. Ficamos encantadas com a vista da cachoeira do alto, caindo sobre um poço num canyon. Depois de um breve descanso, encaramos a descida por cerca de 40m numa trilha escorregadia. Acho que o charme da cachoeira está na vegetação que nasce entre as pedras, por onde a água descia devagar.
Depois de ficarmos ali uns 20min, onde só Luzimar teve coragem de entrar na água gelada, subimos e fomos para o outro lado, no alto da cachoeira. A vista é diferente e nem dá para ver a água caindo no poço. Após algumas fotos, voltamos para o jipe. No total essa caminhada levou cerca de 2h.
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Para chegar à Almécegas II, o caminho é bem mais fácil: o jipe pode estacionar a uns 200m da cachoeira e a trilha ali é quase plana. A cachoeira é formada de uma série de degraus de pedra e em um ponto a queda d'água forma uma hidromassagem. Só entrei porque tinha muito sol para me esquentar depois! Uma trilha curta permite chegar ao outro lado do poço, de onde se tem uma vista de frente da cachoeira. Lanchamos na cachoeira, depois descansamos, ficando por ali pouco mais de 1h.
Seguimos para outra fazenda, a Portal da Chapada. Lá passeamos numa trilha construída no meio da mata de galeria - que é a mata que sobrevive à seca mesmo sem um rio por perto, pois se abastece pelo lençol freático. A variedade de árvores é grande, pena que elas não eram identificadas. Adriana, Ana e eu resolvemos andar mais devagar, curtindo mais o local - até então estávamos quase correndo! Existem algumas nascentes e um pilão hidráulico que era usado para moer arroz e que ainda funciona. O final da trilha nos leva à pequena Cachoeira de São Bento, no Rio dos Couros, onde são dispoutadas partidas de pólo aquático.
Chegamos de volta a Alto Paraíso por volta de cinco horas e quase perdemos o almoço no Jatô - já não tinha muita coisa quando chegamos. Acabamos não saindo à noite - íamos comer crepes e fiquei tão decepcionada com as desistências!
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| 6º Dia - "As flores do cerrado são tão delicadas, mas ao mesmo tempo agüentam tanta adversidade!" |
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Saímos às 8:30 sob um céu meio cinzento, o que me fez até levar um agasalho, pois nosso passeio, a trilha do Sertão Zen, era sobre uma colina. Dessa vez Jair só foi nos levar de jipe ao início da trilha, não caminhou conosco, mas um outro guia, Amauri, completou nosso grupo.
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A caminhada mesmo começou às nove. Primeiro caminhamos um pouco só no plano, depois começamos uma subidinha mais forte e meio escorregadia pelo cascalho. Levamos cerca de meia hora até chegarmos a um mirante, de onde víamos Alto Paraíso ao longe.
Passamos por uma porteira e começamos um trecho de sobe-e-desce que não foi difícil, até porque paramos diversas vezes para ver as flores e a vegetação do cerrado. Aliás, para mim as flores foram o ponto alto do passeio, com suas cores e formas diversas. Vimos sinais de queimadas em alguns pontos, mas a vegetação já dava sinais de recuperação, o que mostrava a força do cerrado, pois Luzimar comentou que essas queimadas eram bem recentes.
Levamos quase uma hora nesse trecho, até chegarmos ao Portal, um conjunto de pedras a partir do qual a gente perde Alto Paraíso de vista. Descansamos um pouco ali, antes de continuarmos por cerca de 1:30h por um trecho plano, mas variado: areia e pântano, cerrado e pasto, muitas flores miúdas, gado. Depois disso, pedras de novo, e chegamos a uma pequena cachoeira. Paramos para descansar e a maioria aproveitou também para lanchar.
Começava a abrir um sol tímido quando prosseguimos a caminhada, agora descendo quase o tempo todo sobre pedras ao longo leito do rio, que estava bem seco. Em um certo ponto, a Ana sentiu uma fisgada num músculo da perna. Ela ainda seguiu um pouco, mas depois achou melhor parar e descansar enquanto prosseguíamos, pois o caminho exigia esforço da perna.
Seguimos adiante, até o ponto onde o rio despenca de uma altura de 150m, mas não dá para a gente ver - talvez se subíssemos em algumas pedras em volta poderíamos ver alguma coisa. Mas a vista é linda, com o vale do Macacão ao fundo. Ficamos um pouco mais de meia hora ali, onde lanchamos.
Já eram quase duas horas quando começamos a voltar. Para encurtar a caminhada, já que havíamos levado quase quatro horas para chegar à cachoeira, pegamos um outro caminho, só que ele passava por um trecho bem pantanoso, onde foi impossível eu passar sem molhar os dois pés. Vimos mais pastos queimados com a vegetação já brotando - quantos anos elas ainda vão resistir? Teve um outro trecho bonito de campos floridos.
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Quando pegamos a trilha original, cada uma veio no seu ritmo até chegarmos de volta à porteira, mais ou menos às cinco horas. Lá sentamos e esperamos ainda um bocado - cerca de 45min - para podermos ter nosso tão esperado por-so-sol na Chapada dos Veadeiros. Lá do alto já podíamos ver o Jair nos esperando com o jipe. A descida até ele foi até rápida, chegamos antes mesmo do anoitecer.
Fomos direto para um restaurante de massas, Raio de Sol, onde comemos bastante - também, após andarmos tanto, a fome era grande. Meu capeletti de ricota e espinafre aos quatro queijos estava ótimo. Ainda passamos na Pousada Alfa & Ômega para ver o vídeo "3 Chapadas e um balão", que foi um pouco decepcionante porque se concentrava muito nos preparativos e na movimentação da equipe de apoio, mostrando no final das contas poucas vistas aéreas. A melhor parte para mim foram os depoimentos de antigos garimpeiros e outros moradores da região, cuja vida mudou com a criação do parque nacional.
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| 7º Dia - "A vista é legal, com as serras em volta. Luzimar levou um mapa da região para facilitar a identificação dos principais pontos." |
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Hoje foi um dia bem relaxado. Acordamos mais tarde e saímos às nove e meia. Eu tomei um senhor café-da-manhã: pães e bolos, ovos mexidos com torrada, suco e chá, coalhada com granola, mel e nescau. Pura gula.
Nosso passeio da manhã parecia que ia ser rápido, mas a estrada para o mirante da Serra da Baliza, a 1445m acima do nível do mar, é um desafio até mesmo para um jipe. Mas a vista é fantástica, com as serras todas à nossa frente: Almécegas, Boa Vista, Buracão, Conceição (onde muitos alegam ter visto OVNIs) e Baleia.
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De volta à estrada em torno de meio-dia, rumamos ao norte, com a estrada margeando o parque, para irmos ao Poço Encantando, já no município de Cavalcante. A viagem é interessante, pois ao longo dos 60km a paisagem varia bastante, com campos baixos, matas de galeria, trechos pedregosos e matas ciliares. Demos uma paradinha num lugar chamado Jardim Zen, venerado pelos esotéricos por estar no mesmo paralelo 14 de Macchu Picchu. A estrada está em péssimo estado, muito esburacada por causa de caminhões.
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Pegando uma estradinha de terra, chegamos ao Poço Encantando, uma cachoeira e poço no Rio das Pedras. O sítio é bem cuidado e me surpreendi de estar tão vazio num sábado de sol. Atravessamos uma ponte pênsil para chegar no poço, onde nadamos (embora a água estivesse fria) e lanchamos. Foi um passeio relaxante e saímos de lá às três e meia.
Almoçamos perto da pousada, no Jambalaya, e adoramos as opções fora do comum do buffet, como a salada com grãos de trigo e as cenouras gratinadas. Para o jantar, o restaurante funciona a la carte.
Íamos assistir a uma apresentação de música oriental na "gota", um centro de meditação famoso de lá. Nós e um monte de gente estávamos esperando, mas acabou sendo transferido para uma pousada. Faltou luz e fiz umas brincadeiras a respeito de OVNIs... Eu e Mitiko, menos chegadas à meditação e assuntos afins, ficamos só um pouco para ver como era.
À noites fomos ao centro para ver as barracas de artesanato, visitamos um recém inagurado centro cultural e então fomos à Créperie Alfa & Ômega, bastante movimentada. Meu crepe de frango com catupiry estava ótimo. De gula, ainda dividimos uma generosa proção de profiteroles. Só não gostei da música ao vivo, que atrapalhou a conversa.
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| 8º Dia - "Pois é, chegou ao fim nossa aventura no Planalto Central." |
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Apesar de não termos compromissos, acho que ninguém acordou tarde. Adriana, Mitiko e Darcy foram para a cidade &agrav;e pé, enquanto eu e as demais fomos mais tarde com a Luzimar e o Jair.
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Depois de tiramos fotos numa placa na entrada da cidade, fomos até duas barraquinhas que vendem cristais. Tem cristais das mais diversas formas, cores e tamanhos. Comprei um simpático elefantinho e um prisma pequeno. Ana e Adriana se perderam no meio de tantos cristais. Fomos ainda em outras lojas e acho que todas nós compramos alguma coisinha.
Visitamos a casa do Tom das Ervas, que é um conhecedor das ervas e seus usos medicinais. Ele vende ervas e preparados fitoterápicos que ele mesmo produz.
Optamos em almoçar novamente no Jambalaya e estava muito bom. Ainda comi sobremesa...
Hora de ir embora, nos despedimos de Jair e pegamos o micro-ônibus que nos levaria a Brasília. Ainda estivemos com o Ion David, dono da operadora Travessia e excelente fotógrafo, que estava para lançar um livro sobre a Chapada dos Veadeiros - o que aliás faz falta, pois só vi livros sobre assuntos esotéricos. Às 13:30 estávamos na estrada, vendo pela última vez as paisagens da Chapada dos Veadeiros que passavam pela janela.
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Fim
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